sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A Volta do Homem-Morcego, chamado pelo bat-sinal!

Escrito por Jorge Ventura


Salve, Bat-fã! Neste post eu continuo com as analises das primeiras adaptações live-action do Homem Morcego, agora seguindo com a segunda produção da Columbia Pictures relacionada a dupla dinâmica feita em 1949, confira:

O segundo cinesseriado de Batman de 1949 foi outra realização da Columbia Pictures, com direção de Spencer Bennet. Aliás, vale a pena registrar aqui a importância dessas produções, que se tornaram uma verdadeira “febre” na época, marcando uma nova geração de fãs e cinéfilos do gênero. Meu pai – um bom apreciador de seriados – conta que, nas cidades do interior ou mesmo nos bairros distantes das grandes capitais, onde as salas de projeção eram precárias, muita gente chegava a levar cadeiras da própria casa até o cinema, só para assistir às sessões matinês.



Sucesso de público sim, mas não de crítica. Mais uma vez, a Columbia Pictures deixou a desejar. Seis anos após a primeira versão cinematográfica de Batman, a empresa convidou Spencer Bennet, outro especialista em filmes B e seriados de baixo orçamento como Superman, Congo Bill e Mulher-Tigre, para exibir nas telas “A Volta do Homem-Morcego” (tradução de Batman and Robin no Brasil).Desta vez, Robert Lowery e Johnny Duncan encarnaram, respectivamente, o Homem-Morcego e o Menino-prodígio. Na trama, nossos heróis foram chamados pelo Comissário Gordon, através do bat-sinal – que fez sua estreia cinematográfica nesta versão de 49 – projetado da janela do seu gabinete, com a missão de localizar o aparelho de controle remoto, roubado pelos capangas do mascarado vilão, conhecido como O Mago.


Na nova produção da Columbia, inexplicavelmente, o nome do personagem Alfred não apareceu nos créditos principais, tampouco o nome do ator que o interpretou (Eric Wilton). Mas trouxe, pela primeira vez, além do Comissário Gordon (Lyle Talbot), a jovem fotógrafa Vicki Vale (Jane Adams), personagem interpretada 40 anos depois, pela atriz Kim Basinger, no longa “Batman – The Movie”(Warner/1989). O batmóvel, que no seriado de 43 era um Cadillac preto, virou um conversível cinza. Mas, seguindo o formato anterior, esta versão reuniu 15 episódios eletrizantes, em uma estória repleta de brigas, correrias e suspense – para o delírio dos batmaníacos e a alegria dos fanáticos por filmes de ação.


A aventura colocou Vicki, Bruce Wayne e Dick Grayson assistindo ao Mago e seu bando (verdadeiros gangsters de ternos, chapéus e revólveres) em um assalto à joalheria. Os bandidos, liderados pela figura sinistra, roubam os diamantes necessários ao funcionamento de um aparelho, criado pelo Professor Hammil. Este aparelho pode deter, à distância, a marcha de um automóvel, de um avião ou de um trem. Para complicar a situação dos heróis combatentes do crime, o terrível O Mago possui o Raio da Morte, um raio elétrico com alto poder de destruição. E a pergunta não quer calar: Batman e Robin conseguirão recuperar o aparelho em prol da humanidade? Para os fãs, não há dúvidas!


Esta versão, lançada em 16 de maio de 1949, teve a direção musical assinada por Mischa Dakalenikoff, que criou o tema de abertura, muito utilizado também, tempos depois, em diversos seriados da Columbia Pictures. Produzido por Sam Katzman, o elenco de “A Volta do Homem-Morcego” contou ainda com os nomes de Ralph Graves, Don Harvey e William Fawcett, entre outros. Na ficha técnica, George H. Plympton, Joseph F. Poland e Royal K. Cole – com a ajuda do criador do herói, Bob Kane – assumiram o roteiro e Ira H. Morgan, a direção de fotografia. O figurino, no entanto, merece um comentário à parte. Os costureiros do estúdio criaram verdadeiras fantasias de carnaval. Robert Lowery (Batman), então, com os seus chifrinhos ridículos, ficou parecendo o diabo dos bailes do América, clube de futebol do Rio de Janeiro. John Duncan (Robin) estava bem parrudinho para usar aquela roupa, digamos, tão “justa”. O uniforme dos dois enrugava constantemente, as botas eram folgadas e a capa não tinha a leveza natural na hora dos combates. O que a capa de Batman se enroscava com os bandidos durante os confrontos não estava no gibi. E não estava mesmo! Para o bat-fã que adora curiosidades, é bom saber que, após esta produção, os protagonistas chegaram a participar de outros filmes B e seriados sem muita expressão.


Robert Lowery, ex-vocalista de uma banda de rock, continuou sua carreira de ator nos anos seguintes, trabalhando até 1968. O segundo Batman do cinema nasceu em Kansas City, EUA, em 17 de outubro de 1913 e morreu em 26 de outubro de 1971, em Hollywood, de ataque cardíaco. Johnny Duncan, que completará 92 anos este ano, precisamente no dia 7 de dezembro, ainda se apresenta em festas, convenções de fãs e programas da TV americana.


Jorge Ventura é poeta, ator, jornalista e publicitário. Autor do livro “Sock! Pow! Crash! – 40 anos da série Batman da TV!”, foi também um dos redatores do zine Tribuna do Morcego. Leia o review da primeira cinesserie da Columbia Pictures do Batman aqui.

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