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domingo, 27 de março de 2016

Sobre Batman V Superman - Dawn of Justice

Por Luiz Augusto


Tentar entender (ou explicar) a implicância que estamos vendo com relação a BvS seria deselegante e desnecessário. É o mesmo que criar comoção num ambiente já carregado. No entanto uma tendência parece muito clara, a do “senso comum” suplantar o bom senso. Tornou-se extremamente senso comum ir ao cinema não mais pela diversão e sim pelo prazer (babaca) de encontrar defeitos nas obras cinematográficas, sejam elas quais forem. Isso não é exclusividade de BvS, pois, tenho presenciado isso em todo tipo de filme, por exemplo: No término de “A Bruxa” existiam 2 grupos bem distintos, aqueles que imergiram na experiência do filme e se apavoraram (eu incluso) e os que não entenderam xongas e teciam as críticas e observações mais estranhas que a própria estranheza do filme. Outro exemplo foi o Deadpool, sim o extraordinário Deadpool (um dos filmes mais foda do ano de 2016) foi vítima inclusive de afirmações nas quais, o mesmo era tido como uma ode ao machismo e totalmente desprovida de nexo em seu roteiro (!?!)...

Obras fabulosas como TDKR, Vingadores (sim esse filme tem relevância), Star Wars - O Despertar da Força e tantas outras riquíssimas no quesito entretenimento foram execradas por pseudo-criticolóides de ocasião (alguns inclusive com status de jornalista), de uma forma tão intensa, que isso parece ter se tornado uma prática. A rede social hoje, mais parece uma grande gincana virtual onde vence aquele que espezinha melhor a bola da vez, que nesse caso é BvS. Chega ao extremo de, na falta do que falar tem gente malhando o filme por que usaram CGI nas cenas do Batmóvel, outro reclamou que a Mulher Maravilha usava espada e escudo (?) Muitos reclamam da Lois Lane, outros dizem que o Lex Luthor parece o Coringa... E por aí vai, uma crescente onda de ódio fomentada por descontrole emocional, falta de sexo (que acredito ser o caso de muitos) e um claro, compromisso com a ignorância. Sim ignorância, isso mesmo!!! As conseqüências podem ser funestas e o motivo é simples. O fã não é o detentor dos direitos de seu amado personagem e sim uma empresa.

E como tal os executivos da mesma vêem aquilo que sabemos (e entendemos como arte e entretenimento) meramente como um produto a ser explorado, se isso não der lucro, os caras trocam o produto ou tiram ele do mercado. É simples assim! Não estou dizendo que devemos aceitar qualquer coisa que nos empurrem 3D adentro, porém, mais uma vez voltamos ao quesito bom senso. Lembro-me que em 2005 quando Batman Begins foi lançado, embora tendo logo de cara uma boa aceitação do público, houve muitas críticas quanto ao fato do Nolan explorar o tema Batman num contexto mais crível. Gente, isso era uma proposta, você não é obrigado a aceita-la, mas precisa respeita-la! Em 3 filmes e quase 10 anos depois, o cineasta nos entregou exatamente o que prometeu.

"Ahhhh! Mas Luiz, eu não gostei do Bane!!!" Tudo bem cara é sua opinião eu respeito isso, porém não muda o fato de existir todo um trabalho de pesquisa e transposição desses personagens que também deve ser respeitada. Assim é com os trabalhos do Zack Snyder, hoje, mais do que nunca, ele é tratado como um déspota cinematográfico, mas ele nunca se propôs a ser o que ele não é... Zack Snyder é um de nós, um nerd apaixonado pelo que faz e o faz apaixonadamente. Ao longo de sua carreira ele nos entregou o melhor que estava ao seu alcance e isso merece ser respeitado. Não consigo entender esse ódio todo com seus trabalhos. Opinião eu entendo, ódio não! Simplesmente por que não há motivo para tal. E com BvS não é diferente. Existe um esmero, um cuidado com a execução desse filme, com sua produção.

Como Batmaníaco e como cinéfilo, procuro acompanhar o maior número de informações acerca das produções que me interessam e não foi diferente com BvS. Desde o anúncio feito na “Comic Con”. Passando pela (acertada) escolha do Ben Affleck e de todo o elenco que foi divulgado, vimos muito mais acertos do que qualquer outra coisa. Decisões e inspirações para a construção do filme fazem parte da experiência de vê-lo pronto. Conversei com pessoas que criticavam a produção e nem ao menos sabiam coisas básicas, como a presença da WW no filme, por exemplo. E essas mesmas pessoas (totalmente ignorantes do que e como foi feito), hoje se apresentam como profundas conhecedoras de cinema e universo DC... Duvido que tenham pescado 1/3 dos easter eggs e referências, e ainda assim abrem uma boca do tamanho da do “Mike Jagger” pra falar mal do filme, e pior, se ofendem quando alguém fala o óbvio: "Vey, você não entendeu a proposta!"  Isso não que dizer que a pessoa é burra, só que ela deixou escapar algo importante e se perdeu no caminho.

Vamos por a “barba de molho” e aceitar o fato de que BvS veio pra ficar e que, independente de “achismos” ou gosto pessoal, ele será tão bem vindo quanto os acertos e equívocos (que são muitos) cometidos pela Marvel/Disney, Sony, Fox e companhia LTDA (mesmo!). Outra coisa importante de ser dita, é que cada empresa tem sua própria noção de como apresentar seu produto, certo ou errado, cada uma tem sua assinatura peculiar. A Marvel optou por trabalhar um tom mais aprazível, mais aconchegante (eu diria) mais Disney... - Mas Luiz EU ACHO ISSO UMA MERDA!!! Fôda-se mano, a parada é do cara deixa ele... Eu não sou obrigado a consumir, assisto por que gosto de filmes. Particularmente percebo que essa fórmula da Disney há de se desgastar para alguns filmes de heróis, afinal o humor esperto de “Guardiões da Galáxia” e “Homem Formiga”, não pode ser o mesmo de um “Doutor Estranho” ou até mesmo de um “Vingadores”, por exemplo. Assim como o característico elemento sombrio do Batman não deve se estender a um Shazam... A verdade é que o público é difícil de agradar, mas isso não dá a ninguém o direito de escrotizar uma obra fabulosa com BvS.

Quando muitos disseram que já tinham visto tudo nos trailers, o “desenrolo” e o desfecho do filme mostram o contrário. Agora, mais do que nunca é a hora de evocar “São Borgo”: -Somos fãs, queremos service! O Batffleck entregou o que prometeu. Um Batman fundamentado no evangelho sagrado segundo Frank Miller e contextualizado com o momento e a proposta de um DCEU. Um Batman que nunca superou a perda dos pais, e isso é sim sua força motriz. Remorso, perda e culpa lhe são tão familiares quando a escória e o submundo... Um Hades moderno, atormentado pela própria condição... Vivendo sob a égide de um inferno pessoal quase intransponível, cansado de uma busca quixotesca. Um Superman ainda não totalmente consolidado como o azulão escoteiro, porém caminhando para tal. Suas dúvidas e incertezas são latentes, um “deus” tão arquetípico quanto o próprio Zeus. Seu refúgio se faz nos braços da amada e seu Olimpo jaz na sapiência de sua mãe (demasiadamente) humana. E isso é lindo.

Uma Mulher Maravilha, cuja arma é o conhecimento, tendo o homem, não como um adversário somente, mas sim como um diamante a ser lapidado, ainda que isso tenha que ser feito na porrada. Uma Atena moderna, inteligente e sagaz, segura de sua missão e com uma disposição de ferro. Com certeza ela é a mais feroz sobrevivente... A mais pura guerreira... Brilhando, odiando... Possuindo “nossa” pessoa. O Flash desempenha seu papel quase miticamente, afinal, Hermes é o mensageiro dos deuses. Um Aquaman “Poseidônico”, imponente, poderoso e senhor de seus domínios. Um Cyborg totalmente dentro de contexto e pertinente no momento em que vivemos, um “Prometheus” moderno, brilhantemente apresentado. O “Overture” é quadrinístico operístico com uma beleza ímpar, capaz de nos lançar dentro da trama sem muito esforço, pois a mesma nos é familiar em essência.

As pausas são claramente desenvolvidas para fomentar o tema central do filme. A manipulação. Magistralmente engendrada por Lex Luthor com o objetivo egocêntrico que lhe é tão característico. Aliás, a atuação intuitiva e introspectiva do Jesse Eisenberg, constrói um antagonista psicótico, pavorosamente carismático. O elenco ainda é abrilhantado com a experiência de Lawrence Fishburne, mais do que à vontade no papel. Ele nos entrega um Perry White que beira a perfeição, e com a importante função de ser um alívio cômico muito bem trabalhado. A Lois Lane, nem se fala. Parece ter saltado das HQ’s com sua marcante característica de ser a melhor repórter investigativa do Planeta Diário. Simplesmente foda. Temos ainda as relevantes participações de personagens apresentados em MoS e que são levemente aprofundados na trama, dando bastante credibilidade a mesma.

Desnecessário exaltar o poder da atuação do mestre Jeremy Irons, que dá vida a um amálgama de vários Alfreds (inclusive Terra Um), com uma destreza quase cirúrgica. E pra finalizar, um dos pontos altos do filme: As “Marthas” ou o “fator Martha” (como preferir), numa jogada engenhosa e igualmente sensível, o roteiro apela para a outrora negligenciada importância que essas duas personagens tem na vida de seus filhos, estando presente ou não. Martha Wayne e Martha Kent são brilhantemente exploradas como o “link” emocional que fecha um ciclo de sofrimento e discordância e se torna a gênese da notória amizade dos protagonistas. Elevando a um patamar épico o subtítulo “Dawn of Justice”.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Review: Mulher Maravilha - Hiketeia

Publicado originalmente no site Climax. Texto escrito por Diogo Oliveira.



Hiketeia na antiga mitologia grega seria quando alguém cria com você uma relação de dependência mutua com alguém que fez algo muito errado, um crime por exemplo. Você direitos e deveres com essa pessoa, assim como a culpada também tem esse direito. Mas como em toda tragédia grega, o drama é constante e o caos é iminente...

Mulher Maravilha: Hiketeia é uma historia escrita pelo grande Greg Rucka (Mulher Maravilha Vol 2, Gotham Central) e desenhada por JG Jones (52, Y: O Ultimo Homem) e foi publicada originalmente no ano de 2002, e ainda é uma das melhores histórias da Mulher Maravilha não só da década passada mas de todos os tempos.


A trama mostra quando uma jovem chamada Danielle Wellys procura Diana, agora não só uma super heroína mas também embaixadora de Themyscera no mundo dos homens, pedindo a Hiketeia, uma proteção contra crimes em troca de tratamento justo e mutuo entre as partes. Diana, seguindo as tradições fielmente, aceita, sabendo que as terríveis Fúrias querem trazer a sua punição a garota e a Mulher Maravilha, de certo modo. Mas o que ela não sabe é que os crimes de Danielle foram feitos em Gotham City, território do Cavaleiro das Trevas, e Batman não vai desistir tão facilmente de levar a jovem a justiça.



Temos no caso uma historia que define bem a Mulher Maravilha como aquela que está entre Os Melhores do Mundo (nem o site, nem o grupo humorístico, estou falando do Batman e Superman), mostrando que uma heroína que age com o coração mas que respeita as leis sobre ela impostas. Respeitando a Hiketeia, a Mulher Maravilha procura respeitar as tradições e fazer que ambas cumpram o seu acordo.


Por outro lado temos a presença do Batman, representando a justiça dos homens moderna,e de certa maneira cega, que procura só punir sem se importar com os motivos da pessoa, ela esteja errada ou não. Alias por muitas vezes Batman nesta serie é utilizado como o elemento ardiloso a história, mostrando mais ou menos que o Homem é capaz de fazer coisas mais baixas pra ver seu objetivo cumprido.


E pra completar, temos as Fúrias, buscando sangue dos culpados e a dor daqueles que os ajudam, assim como também espera um minimo vacilo para que elas ataquem e se alimentem da carne daqueles que não cumprem sua palavra. mas como Diana descobre ao longo da historia, as vezes a maior dor não é necessariamente a física. As 3 Fúrias se diferenciam pela maturidade de ambas, e pequenos detalhes entre elas remetem outras vilãs da Mulher Maravilha. Se você leu 'Odyssey', dá pra fazer uma comparação com as Hysminai, as guerreiras renascidas.


A relação entre Diana e Danniele tem facetas de amizade, servidão e devoção, já que Danniele sempre foi fã da heroína e estudou profundamente a mitologia e cultura gregas, e por isso mesmo ela seguiu a leis de antigamente. E o lado e a opinião de Diana em relação a isso é que não se pode aplicar as leis de antigamente de maneira literal do jeito de hoje, mas usar os ensinamentos de outrora hoje em dia, junto com a ideia do herói clássico que foi a base para praticamente todos os personagens da DC Comics, de que os bons devem ser defendidos,e se possível, aqueles que fizeram algo de errado merecem uma segunda chance.

Nota : 9.0

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Review: 'Batman: Terra Um'

Escrito por Diogo Oliveira.


Batman é um dos personagens mais versáteis da cultura pop. Não é uma unanimidade, por exemplo, Sherlock Holmes também tem varias interpretações ao longo do tempo, algumas feitas até ao mesmo tempo.E em tempos de um novo Batman na sequencia de 'Man of Steel', 'Beware the Batman', Novos 52, Batman Arkham, e por aí vai, porque procurar reinventar a roda e recontar novamente as origens do personagem? Clique abaixo e tente saber se a revista da qual será discutida consegue responder essa pergunta.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Review: Batman R.I.P.

Escrito por Diogo Oliveira. Publicado originalmente no Uarevaa. A matéria foi escrita em 2009, então provavelmente há algumas informações abaixo que não estão atualizadas para o dia de hoje, mas o sentido da resenha e da trama original se mantem intactos.


“Batman e Robin nunca morrerão!”

PQP, podem falar o que quiserem, fazer o mimimi até não aguentar mais, mas pra mim Grant Morrison é um gênio!

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Review: Man of Steel

Escrito e publicado originalmente por Diogo Oliveira.


Em 'Superman Returns', foi perguntado durante todo filme o porque do mundo precisar de um Superman. O filme tentou responder a essa pergunta, mas algo ficou claramente claro. O Superman do qual crescemos e com o passar do tempo todos achavam que era o definitivo, o de Christopher Reeve, não se encaixava no nosso mundo mundo cheio de áreas cinzentas. E isso automaticamente gerou uma reação nas HQs (o que de fato tem o Superman que realmente interessa), se perguntando como encaixar o Superman no contexto do mundo contemporâneo. Com os anos se passando, o reboot da DC Comics chegou, mostrando uma possibilidade disso porém sem abandonar os conceitos que fazem o personagem ser o personagem. Será que o filme dirigido por Zack Snyder, escrito por David Goyer e apadrinhado por Christopher Nolan conseguiu consolidar o que foi feito nos quadrinhos e realmente recriar o Homem de Aço para as futuras gerações? Contém SPOILERS:

sexta-feira, 1 de março de 2013

'The Boy Wonder Returns': Um adeus a Damian Wayne

Por Diogo Oliveira


Grant Morrison, como já disse em entrevistas, definiu a sua fase trabalhando com o Batman como Bruce Wayne enfrentando seu pior pesadelo: o caos, o perigo e especialmente a dor devido a morte de seus pais, neste caso representado por duas grandes figuras paternais distorcendo não só o legado dos Wayne, mas também o legado do Batman. E nesse pensamento, um personagem foi criado: Damian, no caso o filho entre Talia e Bruce, gerado durante o clássico 'Filho do Demônio', só que com a diferença de que neste caso o filho nasceu, e no começo, usando uma definição mais educada, era um pé no saco, o ódio era instantâneo. Mas depois nos começamos a adorar o maldito bastardo, a medida que o próprio personagem descobria sua humanidade. A intenção de Morrison desde 'Batman e  Filho', era mesmo matar o garoto, mas o manteve vivo visto o potencial do mesmo. Mas dessa vez, não teve jeito: o spoiler foi jogado na Internet e a própria DC fez uma forte propaganda sobre o destino do personagem.Mas a forte foi importante? fez sentido ou foi só para vender mais revistas? Vejamos isso na analise de 'Batman INC Vol 2 #08', e sim, tem spoilers de coisas ainda não publicadas no Brasil (além do fato que o encapetado Robin morre, obviamente).

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Review: 'Liga da Justiça: Volume 01 - Origem'

Publicado originalmente no Cave Beneath The Mansion. Escrito por Diogo Oliveira.



Dizem que um acontecimento pode mudar tudo. Uma palavra, um ato e até mesmo uma história. Foi assim com Flashpoint, que apagou toda a existência da DC Comics que conhecíamos e se aventurou de fato a fazer um reboot total e completo de quase todos os seus personagens, incluindo os mais importantes heróis de sua editora. E em seu retorno, intitulado "Os Novos 52", ele colocou a Liga da Justiça na frente desta liderança esse tempo de mudanças. Não querendo avaliar aqui a mudança do mercado (que pra mim foi um mal necessário para atrair não somente quem lê quadrinhos frenquentemente, mas especialmente pra quem nunca pegou um para ler na vida) e sim o que a história nos mostra, o foco aqui é: o que essa mudança realmente traz de novo, e o que ela nos faz relembrar? Vamos começar o review abaixo:

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

SPLATMAN!

O ano era de 1992. Prestes a sair o aguardado Batman O Retorno, A Fresh Video lança uma paródia pornô que viria a ser um de seus maiores sucessos e também uma de suas maiores dores de cabeça. Splatman, 73 minutos de pura sacanagem com o homem-morcego, a mulher-gato e o pinguim. Os adultos deixaram de ir ao cinema para ver Michelle e iam as locadoras alugar Splatman. Isso começou a incomodar a WB...
SPLATMAN COM SEU SPLATRANG E SCATWOMAN PRESA NO ESCONDERIJO DO PORNGUIN...
Basicamente este filme é uma paródia pornô de Batman O Retorno com algumas referências ao seriado da década de 60. Nas décadas de 80 e 90 eram comuns esses tipos de paródias. Flinstones, Rambo, Edward mãos de tesoura e por aí vai. Dirigido por Mad Dad Dan, o elenco contava com grandes astros do pornô. Cal Jammer interpreta Splatman, Madison Stone faz Scatwoman e Tony Tedischi interpreta o Pornguin. Madison Stone de Mulher-Gato é uma coisa de louco. Procure esse nome no Google images que você vai nos entender. O filme inteiro é sarcástico, carregador de humor e cheio de sacanagem é claro. Ao fim do filme, um bônus: os erros de gravações.
PORNGUIN EM SEU ESCONDERIJO E SCATWOMAN E SPLATMAN SE ENFRENTAM NAS RUAS...
A Warner Bros processou a empresa que produziu Splatman devido a algumas violações de direitos autorais. O filme foi recolhido e destruído. Porém, para a nossa alegria, chegou a ser lançado no Brasil e na Argentina e posteriormente sumiu das locadoras. Depois de quase dez anos desaparecido, uma cópia com legenda em espanhol surgiu na rede e desenterrou esse clássico.Quase uma lenda dos pornôs, Splatman foi a diversão proibida de muitos garotos da década de 90.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Review: Batman - O Filho do Demônio

Review feito por Diogo Oliveira


O clássico de Mike W. Barr e Jerry Bingham acaba de ganhar uma ótima reimpressão brasileira e vamos fazer o review dela agora para vocês! será que o clássico sobreviveu ao teste do tempo? Confira abaixo!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Review: The Dark Knight Rises

Escrito por Diogo Oliveira


Depois de quase 10 anos a frente dos personagens, finalmente a trajetória de Christopher Nolan a frente do Homem Morcego chega ao fim.E depois do imenso e merecido sucesso de The Dark Knight, as expectativas eram muito altas em relação de como a trilogia deveria ser fechada.Desde a surpreendente escolha dos vilões quanto ao escopo da história, todos ficaram de olho e criaram suas próprias versões de como a história deveria acabar.E sim, Nolan nos trouxe não somente o final que precisávamos, mas o final que merecíamos.e prepare-se, haverá muitos SPOILERS pela resenha, então nada de reclamações.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Preview do Review: The Dark Knight Rises

Escrito por Diogo Oliveira.


Olá! O Batmania Rio está de volta, e anuncia para vocês que estivemos presentes na pré estreia do filme mais esperado do ano, e que agora podemos dizer com convicção que também é o melhor filme de super heróis do ano, e até mesmo um dos maiores da década! O que podemos dizer resumidamente é que:

- O filme não dá pra ser comparado com o anterior, ambos são gigantescos em sua própria maneira e ajudam a formar uma trilogia perfeita.

- Uma das coisas que sempre disse aqui é que Nolan tinha que libertar o Batman de ter o mesmo destino do Superman de Richard Donner, de prender as pessoas em uma só visão do personagem pelo nível de qualidade do negócio.Nolan não só deu um presente aos fãs mas também a própria DC/WB por libertar o personagem (por enquanto entenda isso como quiser...)

-Por isso, ouso dizer que o começo não-oficial do filme da Liga da Justiça está nesse filme.

- O filme também mostra porque o Batman, e os personagens da DC, e a figura do super herói em geral, são tão especias e importantes para nós.

-O tom do filme é como se a equipe de 'The Animated Series' tivesse feito 'The Dark Knight'. Foi muito mais "Batman" do que o anterior, mas sem perder aquele senso de realidade e critica.

-Vocês verão o verdadeiro Bane dos quadrinhos ali.Tom Hardy está sensacional e a voz dele está na medida certa.

-Tem algo que eu sempre disse que aconteceria e ninguém nunca acreditava quando dizia, então vou esperar até sexta para jogar isso na cara de vocês HAHAHAHAAHAHAHAHAHA

Na sexta feira, nosso review completo (e com spoilers) vai aparecer aqui pra vocês, então fiquem ligados!A Batmania Rio está de volta!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Review: Batman Forever

Review escrito por Diogo Oliveira


Mudanças acontecem. Faz parte da vida, e também faz partes das artes. E falando especialmente de Batman, que é um dos personagens mais mutáveis já criados, mudanças já aconteceram muitas vezes. Como já disse por aqui, os filmes do Batman nos anos 90 seguiam certas fases do personagem, mas nunca conseguiam englobar o conceito geral da coisa. Depois da recepção fria ao excelente Batman - O Retorno, a Warner precisava de mudanças urgente em uma franquia que eles sabiam que era lucrativa, mas que aos olhos do público estava desgastada.A solução deles para isso? Dar ao povo o que o povo quer. E assim originou (o começo do fim) conhecido como Batman Forever. Mas até onde o filme realmente trouxe desvantagens e vantagens pra cinematografia do personagem? E qual foi sua importância no cenário na época de seu lançamento?


Pra começar, vamos a hsitória: anos depois dos acontecimentos de Batman - O Retorno, Batman ainda continua ativo no combate ao crime, porém, o antigo promotor Havey Dent foi deformado à ácido graças ao gangster Tonny Zucco, deformando a sua mente e transformando-o no vilão Duas Caras. 2 anos após ser preso no Asilo Arkham, ele foge, causando caos por toda a Gotham, incluindo o assassinato da família do trapezista Dick Grayson, que desperta em Bruce velhas memórias de volta a tona. Para completar isso tudo, o misterioso Charada planeja utilizar sua Caixa sugadora de ondas mentais e seus crimes misterioso para destruir de vez Batman e Bruce Wayne. Ajudado pela psiquiatra  Chase Meridian, que também tem um forte interesse no não só no Homem mas também no Morcego, Bruce tentar vencer seus medos, salvar Dick Grayson do mesmo caminho negro que ele percorre e descobrir os motivos porque ele deve ser o Batman, não por obrigação, mas por escolha própria.


Pra começar, a maior mudança é o visual.O estilo gótico movido a concreto de Tim Burton foi substituído foi um colorido pop art  e forte influência das artes gregas e russas.A fotografia também merece destaque, já que diferente do filme que o sucede, não procura abusar muito do neon, mas sim do jogo de luzes e lampadas.Também o fato de trazer mais humor e ação do que seu antecessor, e mais elementos próximos dos quadrinhos, especialmente em relação ao personagem principal.No geral, ficou um filme mais leve, e como a palavra "leve" em blockbusters pode significar muitas coisas (boas e ruins), vamos a elas.


Em primeiro lugar, o filme te joga num ritmo acelerado que Returns não se permitiu, começando com o Batman se vestindo e jogando ele direto para uma ação bem articulada (Burton não era muito bom em sequência de luta) e frenética.A primeira grande mudança mora ali, a ação está bem mais refinada, permitindo algumas peripécias que antes não tinham grande destaque.O foco desse tipo de  cena é sempre o espetáculo, num clima meio western de ter sempre um publico vendo a ação, torcendo, vibrando. Mas isso também leva a algumas cenas de humor que na maioria das vezes não se encaixa, nem na situação proposta nem em relação aos personagens.Um exemplo de momento que eu acho que isso funciona é o famoso 'Sorriso do Batman', mas acho que quando  Dick Grayson está no Batmóvel e encontra as garotas de programa isso não flui tão bem.Mas por uma ação exagerada infelizmente se tornou uma habito entre filmes de super heróis (veja 'Quarteto Fantástico' e você entenderá o que eu digo).


Mas em relação a trama principal, o que se trata? Como tudo relacionado ao Batman, se trata de identidade.Mas no caso de Forever, se refere a aceitação da identidade, do que você tem que fazer precisa ter uma força motriz do bem, senão você se corrompe. É engraçado que mesmo com a mudança de estética e trazendo poucos elementos do filme do Burton, o filme dá uma impressão de fechamento de trilogia.Você tem Bruce Wayne no começo de sua carreira como vigilante em 'Batman, sua apatia e de certo modo felicidade com  a rotina de ser Batman em 'Batman - O Retorno' e o consequente marasmo de vida e a busca   de sentido de vida em 'Batman Forever', mesmo que muito do material que explorava essa parte psicológica tenho sido retirado da versão final.


Falando em material retirado, muito do que o filme poderia ter sido está jogado até hoje na sala de edição.Junto com 'Batman - O Retorno', 'Batman Forever' é o único filme do qual a edição não segue exatamente o roteiro, e diferente do filme de 1992 é o que mais sofre por causa disso.Achando o primeiro corte com um estilo "Burton" ainda forte, a Warner mandou refazer a edição tirando muitas cenas que aprofundavam os personagens, especialmente  Bruce Wayne e a cena sobre a superação da culpa da morte de seus pais.A parte do filme que ele fala "Eu os matei" se refere a ultima linha mostrada no Livro Vermelho, que era o diário de Thomas Wayne, do qual está escrito que eles só foram ver o filme do Zorro por insistência de Bruce.Após levar o tiro e ficar desmemoriado, Bruce volta a caverna e reencontra o diário, completando o quebra-cabeças que sua mente monta durante todo o filme.Nesse momento o personagem reencontra sua força motriz e o real motivo dele ser o Batman, tornando a sua necessidade de fazer isso por realmente estar focado em algo, e não perdido na sua própria dor como até então estava.E tudo isso simplesmente foi retirado do filme.Aqui você pode ver uma lista mais detalhada das cenas cortadas do filme e entender o muito que se foi perdido.


Sobre os personagens e suas atuações, vamos começar com Val Kilmer, que fez a melhor interpretação do personagem dos filmes lançados nos anos 90. E quando digo "melhor", falo em ter equilibrado em partes iguais o lado Bruce Wayne e Batman do personagem.Você consegue ver todas as facetas  do personagem fluindo bem e tendo seu espaço para aparecer, diferente das interpretações que Michael Keaton e George Clooney não permitiam.Você via o businessman, o filantropo, o  playboy, o homem amargurado e o Batman, todos convivendo em harmonia.


Sobre a polêmica chegada de Robin, apesar de eu ter achado a atuação do Chris O'Donell sóbria e consequentemente boa, sem muitos exageros, faltou certa presença do personagem dentro da trama, faltou mais ação de fato por parte dele pra conquistar sua vingança.Sua presença do filme é mais efetiva ao plot do Bruce do que para si mesmo.Mas no final, apesar até mesmo do ainda presente preconceito e de piadas infames que ainda circulavam o personagem,a entrada de Robin no filme mostrou sim que era possível transpor o personagem para live action sem parecer ridículo.


Chase Meridian não é uma personagem original das HQs, criada especialmente para se encaixar neste filme,E francamente não acho que teria funcionado tão bem se não tivesse Nicole Kidman envolvida. Como o produtor Peter Macgregor-Scott bem disse, ele trouxe um certo glamour ao filme, e a presença de tela dela fez que alguns momentos que não deveriam funcionar devido a más decisões ficaram, se não 100%, boas o suficiente. O exemplo que cito aqui no caso é a cena do encontro entre ela e Batman no QG da policia, que tem momentos que variam do constrangimento ("Chicks dig the car") até momentos realmente sagazes ("Não aconteceu nada" "Tem certeza?").E a construção da personagem também é interessante, já que assim como Bruce, mas de um jeito diferente, ela alterna entre a maturidade e uma necessidade quase inocente de se entregar ao lado escuro, ao desconhecido.Foi uma das boas surpresas do filme.


Sobre o Duas Caras, apesar de ter sido uma excelente escolha de casting, é provavelmente o elo mais fraco dos atores, e nem é culpa em si do Tommy Lee Jones, que é uma puta ator, mas pelo fato de ter faltado alguém para guiá-lo em qual direção seguir.Então a decisão tomada (e pelo jeito aprovada pelo diretor) foi de seguir os caminhos de Jim Carrey, e ser o mais galhofeiro possível. Porque é triste, já que a forma que ele é usado no filme não só remete o Duas Caras clássico das HQs, mas dentro da trama ele representa um Batman falho, uma cicatriz ambulantes dos erros de Bruce Wayne como vigilante, que gerou um momento interessante que mostra bem essa fragilidade subliminar em sua relação, quando no Circo Harvey questiona se algum dos ricos e poderosos de Gotham poderia saber quem é ou até mesmo um deles poderia ser o Batman (porque afinal de contas, ele tem tem carro, planador e gadgets a vontade recebendo salário mínimo), e você tem  Bruce desesperado assumindo sua identidade como Batman, mas abafado por causa de todo o caos causado. Uma boa oportunidade perdida.


Ainda acho que depois de todos esses anos, Jim Carrey trouxe uma ótima interpretação do Charada.Afinal, se o filme se trata sobre identidade, que tal o vilão que odeia tanto o que é, que na busca por ser outra pessoa acaba sendo ninguém? Alguns disseram que o humor, que é bem marcante no ator, foi um pouco exagerado, mas acho que isso se encaixa no personagem de maneira muito melhor do que por exemplo no Duas Caras.Foi engraçado quando era pra ser, brutal de um jeito diferenciado. Pegou o melhor do Frank Gorshin, alguns elementos da HQs e seu toque pessoal pra construir algo novo.


No fim das contas, como poderíamos dizer que Batman Forever se saiu? Joel Schumacher até então era um diretor com uns bons filmes e alguns clássicos no currículo, mas foi chamado pela Warner principalmente por ser um diretor extremamente visual. Mesmo que no fim tendo concordado em trazer elementos visuais diferentes dos filmes anteriores, houve um esforço dele em manter uma certa seriedade no personagem, já que assumidamente ele era fã do Batman de Frank Miller (Ano Um e The Dark Knight Returns, no caso), tanto que no filme tem alguns elementos visuais que remetem a isso.


E mesmo assim, como foi dito mais acima, a Warner, com medo de uma comparação direta com Batman - O Retorno, reeditou o filme até o jeito do qual conhecemos hoje. mas surpreendentemente, a reação do publico foi muito boa perante a abordagem mais light do Cavaleiros das Trevas, pois de certo modo dava aquilo que o 'Batman' de 1989 deu, uma nova visão do que poderia ser o personagem interligado com aquilo que o publico queria ver, e ainda por cima dava uma impressão leve de fechamento da história. Infelizmente não foi a finalização que deveria (afinal, tem mais um filme em 1997), nem do jeito que merecia ( já que o filme era e poderia ter sido muito melhor que é), mas era naquele momento o Batman que o povo ansiava: um Batman divertido e cheio de ação para a elétrica geração MTV.

NOTA: 6.5

segunda-feira, 26 de março de 2012

Review: 'Batman' de Tim Burton


Review feito por Diogo Oliveira


No começo de tudo, tínhamos um fã com um sonho.Michael Uslan, jovem universítário e fã de quadrinhos, abalou o mercado de HQs ao criar o primeiro curso em nível universitário que procura estudar e entender o que eram as revistas de quadrinhos, seja as mais independentes até as clássicas revistas de super heróis.Mas ele tinha planos mais altos, mais ambiciosos.O seu sonho era ver seu herói dos quadrinhos preferido, Batman, se retratado do jeito que deveria ser.dark.Soturno.profundo.Sem nenhum elo com a serie de TV da decáda de 60, do qual ainda estava fortemente ligada ao personagem, ao mesmo tempo que nas próprias revistas o Batman estava cada dia mais e mais dark.Uslan sentia que o mundo precisava de uma nova visão de um personagem atemporal, e travou uma batalha de 10 anos até isso ser concluído, junto com seu melhor novo amigo e lendário produtor Benjamin Melniker, para trazer o Homem Morcego da maneira certa aos cinemas.


Era os anos 80, tempo de histórias revolucionárias, e de um mundo mais dark, mais "pé no chão", ao mesmo tempo que visualmente cada vez se estilizava mais, procurava trazer algo novo. Duas HQs principais para pavimentar o caminho do personagem ao cinema foram dois clássicos do personagem: A Piada Mortal (The Killing Joke) de Allan Moore e O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight Returns) de Frank Miller, eram visualmente vibrantes, uma interpretação fresca, revolucionária e incrível do personagem.Misture essa visão com um diretor em franco crescimento, Tim Burton, e que tinha uma visão artística compativel com o personagem, e em finalmente, no ano de 1989, o primeiro filme, com F maiúsculo, do personagem chegue as telas.


Vamos a história: na cidade corrupta de Gotham City, a máfia domina tudo e todos, perante uma policia inofensiva e um governo sem pulso.Nessa situação, o único a fazer justiça de fato nesta cidade é um misterioso vigilante conhecido como Batman, descrito como "um morcego gigante". Investigando as operações do misterioso Batman na cidade, está o desacreditado reporter Alexander Knox (Robert Wuhl) e a fotografa Vicky Vale (Kim Basinger),que começa a ter relações com o misterioso bilionário Bruce Wayne (Michael Keaton), sem saber que as ligações entre Wayne e Batman são mais próximos que todos imaginam.


Em paralelo a tudo isso, após uma emboscada armada pelo seu próprio chefe, o gangster Jack Napier (Jack Nicholson) tem seu rosto desfigurado e mergulha em resíduos toxícos saindo com a coloração de sua pele modificada, levando-o a insanidade e a adotar o nome de Coringa, prometendo vingança a pessoa da qual não conseguiu lhe salvar, no caso Batman, e mergulhar Gotham na mesma insanidade do qual vive.


O filme não poderia funcionar se não houvesse uma obrigação de tornar seus personagens principais palpáveis.Michael Keaton, mesmo com muita polêmica em torno de sua escolha para o papel, conseguiu tornar Batman e sua psique sólidas, mesmo que o destaque ao mesmo no filme não seja tão grande assim, pois principalmente o objetivo do filme é realmente desvendar o homem detrás da mascara.Alias, um Bruce Wayne mais "quieto" e fora de cena é uma escolha interpretativa do Tim Burton para o personagem (uma escolha que alguns amam outros odeiam), que faz questão de se manter invisível mesmo sendo um dos homens mais ricos daquele país.Um cara fechado e que mergulha fundo nos poucos relacionamentos que possui, e que do fato de seus pais não terem sido vingados, criou em sua mente a necessidade de se fazer justiça, mesmo que isso o leve a extremos, como a própria figura do Batman.


Já os papéis de Vicky Vale, a dama de branco que chama a atenção dos personagens principais do filme, e de Alex Knox, eles servem como o olhar do publico e guias turisticos "seguros" sobre o que acontece em Gotham e como desencavamos as informações destes personagnes.Muitos dos fatos principais em relação a desvendar o passado e consequentemente a psique de Bruce Wayne, reafirmando a ideia de aprofundar aquilo que as massas consideram saber sobre o personagem, é diretamente relacionado ao ponto de vista deles e do trabalho jornalistíco.Eles, nos papéis de jornalistas, servem como olho crítico para todas as loucas mudanças que acontecem no filme.


Já a figura do Coringa foi totalmente montada para esse filme, apesar de ainda sim ser um reflexo não só do Coringa das HQs, mas do próprio espírito do filme em si (explicarei melhor isso mais abaixo).Se Jack Napier era um louco medicado, que raramente se permitia abraçar a loucura, e extremamente narcisista, o seu Coringa quer que todos entendam a sua dor, e ao mesmo tempo que todos sejam como ele ou sinta o que ele se sente.Um vilão expositor, que mostra sua cara falsa afim de que retire o Batman de sua toca, pois ele irá causar algum tipo de tumulto, e quer que sua batalha contra seu nêmesis seja algo que se assemelhe a uma ópera, épico.


Engraçado que, com o tempo, a própria estética da construção do Coringa tenha se tornado um espelho para o que seja o filme em si: o filme no caso pega diferentes versões do personagem, seja da TV ou dos quadrinhos, e junta com aquilo que esperávamos ver mas de uma maneira diferenciada e com toques de varias pessoas envolvidas no processo de criação, mas ao mesmo tempo dando uma distancia do material original sem descaracterizá-lo.Isso é importante, especialmente numa época onde quadrinhos ainda eram tratados como coisa infantil (apesar que as melhores histórias da época comprovam o contrário), e uma mudança do cenário hollywoodiano onde era possível levar a sério esse tipo de material.


Mesmo tendo momentos onde é claro o aprofundamente em certas aáeas até então ainda não exploradas do personagem, você ainda enxerga no filme uma certa necessidade de que o escapismo do qual a serie de TV proporcionava muito bem seja encaixado ali, e essa façanha é feita sem interromper o clima que mitura aspectos urbanos,darks e retrôs (brilhantemente feitos pelo falecido Anton Furst) seja maculado.Há uma certa diversão do fato de termos o Batman tentando interromper o caos do Coringa, assim como há do espectador em assistir aquilo.


Como filme, 'Batman' é importantíssimo por pavimentar o caminho dos blockbusters como conhecemos, sejam como espetáculos cinematográficos ou como adaptações de HQs, tão comuns hoje em dia, mas raridades na época que saiu.mas entrando na área de adaptação do Batman, como podemos dizer que ele saiu? Vamos utilizar o "esquema Tostines" aqui: se esse filme chegasse hoje em dia faria tanto sucesso assim? O negócio é que era o filme que na época precisava sair, mas não era O filme que o personagem seria transportado com maior sucesso para as telas.Ele precisava mostrar que o personagem havia uma psicologia a ser explorada, e que vinha de um mundo totalmente diferente do que a serie de TV sessentista apresentava.


Mas ao mesmo tempo, 'Batman' apresentava O QUE ERA o Batman, mas não exatamente QUEM ERA o personagem.Um problema ao longo de todos os filmes noventistas do Batman era que procurava explorar pedaços soltos da mitologia, ao invés que pegar as bases principais e primordiais dos personagens e ir explorando cada vez mais profundamente nas sequências, como Nolan fez.No caso do filme que estamos falando, você percebe o poder da máfia na cidade e sua funcionalidade, e a impotência do governo e policia, representados aqui por James Gordon (Pat Hingle), Harvey Dent (Billy Dee Willians) e o prefeito (Lee Wallace), mas de forma bem branda, dando mais destaque as interações entre Batman, Coringa e Vicky Vale e não se aprofundando em questões que eram importantes para a composição daquele cenário.


Incrivelmente, certas questões mais profundas dos personagemnse da cidade de Gotham em si foram melhor exploradas em sua sequência, Batman - O Retorno, do que aqui, mas o filme gerou algo que o personagem precisava até então: empatia.O filme foi a coroação da extrema maturidade que o personagem alcançava e sua ascendente popularidade e relevância que até então o Superman dominava, mas agora com todos aceitando sua "nova" e até então definitiva visualização: Batman é uma criatura da noite, e até então ninguém lhe poderia tirar isso.O filme trouxe a diversão do seriado, com a profundidade da qual o personagem estava sendo explorado e trouxe, como filme, uma experiência inédita pra industria que pavimentou o caminho para inúmeras outras coisas, e consegue ainda sobreviver o teste do tempo.


NOTA: 8.0

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Review: Batman - O Retorno


Aproveitando que o Natal é amanhã, o nosso colaborador Diogo Oliveira vai colocar aqui o review deste Bat-Clássico Natalino, e para muitos, o melhor filme live action do Homem Morcego dos anos 90.

Após o ano de 1989, o mundo, especialmente de quem era fã do Homem Morcego, era um lugar feliz. Batman tinha estrelado seu primeiro longa metragem sério, sem ligação alguma com o seriado dos anos 60, e virou um fenômeno de bilheteria e cimentou o personagem como um dos ícones da cultura pop. Mas acima de tudo, das vantagens e desvantagens que o filme de 1989 trouxe, ele tinha personalidade. Era diferente do que havia sido visto nos desenhos, series de TV, e de certo modo até nos quadrinhos.Tim Burton conseguiu atribuir ao filme uma qualidade atemporal, mesmo não tendo a liberdade que desejava, por ser um diretor relativamente novo no ramo.

Mas após a montanha de dinheiro que o ‘Batman’ fez, junto com sua credibilidade como diretor cimentada, o fez ser chamado a voltar ao universo do herói. Mas agora ele tinha um diferencial: ele tinha livre liberdade criativa.Ele poderia fazer o que quiser sem necessariamente se prender ao “cânone”.E assim, o mais fiel filme do Batman ao quadrinhos feito nos anos 90 foi concebido. Se Batman – O Retorno não segue exatamente ou não adapta literalmente o que acontece nos quadrinhos em forma de acontecimentos, as personalidades de seus personagens são muito bem trabalhadas e se aproximam dos quadrinhos de maneira até então nova e ousada para um publico comum acostumado a filmes mais leves e a um publico que já era fã do personagem ao ver um aumento de maturidade grande de um filme para o outro.

A história começa muito anos atrás, do natal de Gotham City, onde dois pais (um deles o lendário Pee Wee Herman) jogam seu filho, sua pequena aberração, dentro dos esgotos de Gotham.30 anos depois, vemos ele surgir do esgoto como Pinguim (Danny deVitto), junto com sua gangue do Triângulo Vermelho, um circo falido que entrou pro ramo do crime, toca o terror na cidade durante o período de Natal.Suas intenções são um mistério, e se aliando ao milionário da industria e mal caráter Max Shreck (Christopher Walken), levanta as suspeitas sobre Bruce Wayne/Batman (Michael keaton) sobre as reais intenções do "homem-pinguim do esgoto".Pra completar o quarteto,a chegada da misteriosa Mulher Gato (Michelle Pfeiffer) e sua ligação com os 3 principais homens da trama(Oswald,Max e Bruce) pode definir o curso da ação na tentativa de salvar ou condenar Gotham de vez.

Uma das coisas que eu acho acho muito bacanas em relação a esse filme é que na verdade ele é uma busca a felicidade, de certa maneira distorcida devido aos seus personagens e dramática por seu clima de opera grega.Mulher Gato,Pinguim e Max Shreck buscam algo que possam lhe dar plena felicidade e sentido de viver, para se sentir completos como pessoas.Estranhamente,o único que não procura uma mudança em seu estilo de vida (aparentemente) é o Batman/Bruce Wayne, que com a chegada de Selina Kyle em sua vida afunda de cabeça pessoalmente na situação, já que suas duas personalidades andam tão entrelaçadas que sem querer Selina realmente representa a invasão/ entrelaçamento entre essas duas vidas da qual ele vive.

O Pinguim tem a necessidade de ser amado, de ser o centro das atenções, ao mesmo tempo que tem poder de controlar a mão de ferro e muito trabalho sujo uma organização ,criminosa ou não, que a sociedade rejeita ou aceita independentemente de status -$$$- e principalmente, poder.Seus motivos permanecem misteriosos durante um bom tempo do filme, já que a sua necessidade de ser amado desvia de seu plano original, mas quando ele é revelado (assasinato de crianças, seguido de genocídio) mostra o quão monstruoso ele é, e novamente fazendo uma ligação por comparação com Bruce Wayne/Batman. Oswald Cobblepot é o monstro disfarçado de pessoa respeitável (aí também fazendo um elo com Max Shreck) diferente do Batman (que é uma pessoa respeitável disfarçado de monstro), que ainda sofre devido ao trauma com seus pais (assim como Bruce), mas que devido a sua vida cheio de rancor e crimes ele escolheu um caminho mais triste,violento e trágico, comprovando sua identidade como monstro.

Mulher Gato, além da ideia anárquica de tirar o que pertence ao homem, desajustá-lo, também deseja ser feliz e se sentir completa como mulher, mesmo que sua mente já esteja em pedaços.Além, de uma certa ligação sobrenatural que o diretor colocou com seu envolvimento com os gatos, o lance das 9 vidas (aqui é 7, tudo é uma questão cultural) relacionado com suas "mortes", não físicas, mas psicológicas da personagem, e isso reflete nas sua roupa e nas suas ações, terminando com ela ficando cada vez mais obscura, pois não tem uma razão para fazer justiça.Novamente, a falta de realização a leva a loucura, uma loucura que ela gosta por não ver justiça para pessoas más num mundo distorcido,como a sua ultima cena do filme revela.Não haverá castelo com um príncipe encantado para ela, assim como nunca terá um princesa a espera de Bruce Wayne, porque seus estilos de vida e seu pontos de vida sobre justiça não permitem ficarem juntos.

E Batman, num sistema quase mecânico de combate ao crime, praticamente sem aproveitar a vida de seu alter-ego, Bruce Wayne, quando se apaixona, vai sem freio e sem medo. Mas seja por causa dele próprio ou de fatores externos, seu problemas se cruzam, porque Bruce Wayne é Batman, e vice versa, e por ele respeitar suas ambas identidades e ter uma força motor do bem o guiando, o impede de quase cair na loucura completa.Uma coisa que é fato é que o personagem não aparece muito no filme,mas quando ele aparece é algo realmente necessário a trama e você se sente bem ao ver ele na tela.Ele literalmente chega no filme, faz sua parte, salva o dia e ajuda a história a avançar.De certo modo todos os personagens do filme são espelhos opostos de Bruce Wayne/Batman, o que não torna o fato do personagem não ter tanto tempo de tela algo tão ruim.Como foi dito acima, Bruce/Batman está feliz como jeito que leva a vida.Ele trabalha, sai com garotas, mas ninguém fica sabendo muito sobre sua vida,do que ele faz ou deixa de fazer.O que importa pra ele que toda a noite ele está lá, vigiando a cidade, sendo o Batman e protegendo as pessoas.

O quarto e importante elemento no filme é Max Shreck.Um vampiro no sentido mais realístico da coisa, manipula as pessoas para depois sugar sua vida e energia(até literalmente falando).A intenção dele é poder, é controle, lidando com a loucura constante de uma cidade de loucos enquanto procura manter sua máscara de bom moço sobre seus atos ilícitos.Quem é descartavel ele descarta, tem é perigoso ele manipula, quem tem poder mas não sabe como usar ele manipula.De certa maneira a dupla com que ele faz com Pinguim é bacana,pois ambos são pessoas que tem pensamentos semelhantes que forma uma certa amizade invisível, ao mesmo tempo que eles trairiam um ao outro se fosse necessário.

Um dos elementos mais interessantes do filme é a omissão em relação a origem do Pinguim.Você tem pedaços de como certas coisas acontecem, e sua mente somente junta as peças e monta a trama.Assim, como a ideia de que o Pinguim sabe dos segredos de varias pessoas, o que gera um outro "momento Vicky Vale" com as plantas do Batmovel na posse do Triângulo Vermelho (apesar de que ao redor dos blueprints há vários desenhos feitos a mão, dando a impressão que eles investigaram o funcionamento do Batman e juntaram as peças).Também deve ser elogiado a influência forte do cinema expressionista alemão no filme, evoluindo o que foi visto no filme de 89 em termos de estilo.

Mas o que podemos dizer do que se trata o filme? Justiça.Dualidade.Drama.Escuridão. Todos estão presentes em Batman - O Retorno, que sim, tem suas pequenas falhas como filme e por causa de algumas escolhas que polêmicas a parte, conseguem torná-lo ainda mais especial.O fato do Batman aparecer pouco,ou até a mistura entre o real e o surreal(leia-se: pinguins com misséis) não chegam a estragar o peso do filme como filme e adaptação do personagem.os sentimentos são reais, os dramas pessoais são reais, dentro de um escopo tirado dos quadrinhos mas levado a sério, muito mais a sério que o espectador estava acustumado com filme de HQ.Tim Burton tinha consciência disso, e era era a sua marca dentro dos Bat-Filmes: era uma HQ com uma realidade estilizada,mas mesmo assim serio e real, e dark como a atmosfera do personagem pede.

E no meio da geração Nolan e de seus geniais filmes do Homem Morcego, as pessoas vêem redescobrindo Batman O Retorno, e descobrindo que dá pra ser dark e sério sem ser necessariamente hiper realista. Batman tem um escopo maior do que isso. Em 1992, até então, ele atingiu seu ápice ali.

NOTA:9.0